Uma pequena introdução
Olá amigos, é com enorme satisfação que divido com vocês a ótima experiência de ter participado da 2ª Maratona das Praias. Não foi uma maratona “programada”, por assim dizer, já que a decisão de ir a Bertioga ocorreu na véspera. A falta de treinos estava me incomodando, tirando aquela sensação de segurança, ainda mais com uma maratona pela frente, visto que nas últimas duas semanas só havia participado de eventos (Corrida de Santo Antonio – 6Km e Track & Field Shopping Cidade Jardim – 10Km). Todo corredor sabe que encarar uma maratona sem uma regularidade de treinos, pode acarretar em diversos problemas. Levei em consideração dois fatores: estava com bons treinos de “base” feito nos últimos meses e o fato de estar inscrito “alimentava” a minha motivação rumo ao litoral.
Dia 28/08 – véspera
Assim que acordei, tomei a decisão de ir a Bertioga. Tirei lições dos 30Km Beach Cross feito no mês anterior, então sabia que de nada adiantaria forçar no início, correndo o risco de sentir fadiga muito antes do “paredão” (30Km em diante). A falta de umidade era outra preocupação, então tomei todas as precauções possíveis, levei minha mochila de hidratação “Camelback”, a cinta Salomon composta de duas garrafas, carboidratos e dilatador nasal. Estar com todo equipamento para um desafio daqueles era uma boa forma de preencher alguns “vazios” de treinos (não o suficiente, mas era um alento). Feito isso, peguei o ônibus no Terminal Rodoviário do Jabaquara às 15h20, em menos de duas horas já estava em Bertioga. Sem perder tempo fui retirar o kit, composto de camiseta (da triste marca Amphibia), número de peito, chip de cronometragem e um carboidrato em pó da marca GU. Aproveitei e me informei a respeito do jantar de massas, que seria logo mais. Uma vez que quase tudo estava no improviso, não tive muitas escolhas de hospedagem, véspera de prova, todos os lugares estavam lotados. Acabei ficando com a “sobra”, pensamento que logo abandonei, pois a “My Power Pousada” estava muito bem localizada, a 300 metros do local da largada, além de ser confortável e organizada.
O jantar de massas foi no Restaurante Borguese, localizado próximo a Forte São João. Fui um dos primeiros a chegar, lá encontrei algumas pessoas que conhecia de vista. E no momento em que estava pegando a saborosa macarrona e dando contornos com o atraente molho branco, eis que encontro a Elis, do blog diário de uma corredora, estava com seu marido e filhos, uma família muito simpática, ou melhor, estava com uma verdadeira “equipe de apoio”. Antes de nos despedirmos, tiramos uma foto para registrar o momento. Retornei à Pousada, preparei minhas coisas e permaneci assistindo televisão, até o sono chegar.
Encontro casual com a minha amiga Elis no jantar de massas
Dia 29/08 - o dia “D”
Acordei às 07h00, tomei um banho, comi algumas bisnaguinhas, e fui para o local do evento. A largada estava programada para as 08h00, quando cheguei notei uma grande movimentação de corredores, fazendo aquecimentos, alongamentos, tirando fotos, retirando kits, enfim, um clima agradável pré-maratona. Fui o único representante da Nova Equipe Assessoria Esportiva, os demais membros estavam espalhados pela cidade de São Paulo participando dos mais variados eventos que teve naquele domingo. Ainda encontrei a Elis, e também conheci o blogueiro Joel, que fez a Meia Maratona descalço (pasmem). Tiramos fotos e nem bem conversamos fomos chamados a nos posicionar para a largada. Pela temperatura, era perceptível que seria mais um agravante para todos. Junto com a Maratona, também tivemos a Meia-Maratona, por um breve momento pensei em fazer a prova menor, porém logo dissipei essa idéia e ao som de “Guns N’ Roses” iniciei a Maratona.
Eu e minha amiga Elis antes da largada
Os primeiros cinco quilômetros foram bem tranqüilos, até então tudo dentro do programado. Á medida em que o tempo foi passando, o sol foi ficando cada vez mais intenso, fiz uso de uma tática que raramente uso: correr na sombra de outro corredor. O sol era escaldante, encontrei um corredor que estava num ritmo próximo do que eu precisava seguir, e então acabou servindo de “coelho” por uns bons 8 ou 9 quilômetros. Quando percebi que o ritmo dele diminuiu, resolvi abortar aquele plano e segui sozinho. Passamos por belas praias: Enseada, Vista Linda, Riviera de São Lourenço e Itacaré. Procurei espantar dos pensamentos o fato de que teria que retornar por aquele longo caminho percorrido na ida. Levando em conta uma maratona naquelas condições, estava surpreso com o meu ritmo de 5min30 por quilômetro, a reação do meu corpo foi uma grata surpresa, visto que os meus treinos não são naquelas condições climáticas e nem em solo praiano.
No início
Quando dei entrada na Riviera de São Lourenço encontrei o meu amigo Marcelo Jacoto, que estava norteado em seu MP3, perguntando de onde deu surgira, tamanha a sua surpresa. Conversamos rapidamente e seguimos juntos por uns 2 quilômetros. Tomei partido de seguir um pouco mais rápido, pois não via a hora de iniciar o retorno. O bom de correr em eventos como esse é o fato de não haver aglomerações, o corredor corre à vontade, muitas vezes a centenas de metros de distância um do outro, com uma sensação de liberdade incrível. E por ser praia, errado eu seria de não dar umas “paqueradinhas” (impossível ficar 100% concentrado num lugar daqueles). Mas o foco estava mesmo no retorno, pois dali saberia as minhas reais condições físicas. Comecei avistar o aumento do fluxo contrário de corredores, ou seja, a “virada” dos 21Km estava próximo. Passei a Meia-Maratona com o tempo de 2h04min, e assim iniciei a trajetória de retorno.
Um dos momentos mais demorados foi o retorno pela Riviera de São Lourenço, parecia que aquela praia não terminaria nunca, nem a música conseguia distrair a minha atenção daquela longa extensão de areia. O sol já estava mais que presente, ele simplesmente exercia uma influência sobremaneira sobre o meu corpo, era um peso que somado à mochila e cinta de hidratação, deixava as minhas passadas cada vez mais pesadas. Passei pelo quilômetro 30 “inteiro”, sem resquícios de cansaço iminente. A experiência de ter feito os 30 Beach Cross (25/07) foi de grande ajuda, visto que não cometi os erros daquela prova, como por exemplo, encharcar os pés de água nas “fissuras” da areia. Com grandes saltos, evitei ao máximo molhar os pés, o que garantiu um acúmulo de energia para os momentos finais.
Passamos por belas praias
Se por um lado, eu estava “inteiro” mentalmente, o mesmo não aconteceu com minhas pernas, que a partir do quilômetro 37 estavam muito pesadas. Nesse momento pude sentir o quanto faz falta a sequência de treinos. Á minha frente era possível avistar um ou dois corredores num raio de 400 metros, já nas minhas costas, não consegui ver ninguém. Caminhei por uns bons dois minutos, em nada comprometeu a minha condição na prova, pois não fui ultrapassado e quando passei a correr novamente, ainda ultrapassei dois corredores que estavam caminhando, de tão exaustos. Paralelamente a essa “peregrinação” que foram os quilômetros finais, o clima na praia era o melhor possível, crianças brincando com seus pais, casais trotando, pessoas de todas as idades se divertindo, pois o tempo era propício para a diversão. A minha proposta não era a performance em si, pelos motivos elencados no início, porém, pela resposta positiva do meu corpo senti que poderia superar as minhas expectativas com o relógio, mesmo sem a preparação adequada. Quando iniciei o quilômetro 38 fui tomado por uma motivação, a mesma que me fizera concluir os grandes desafios, como a Maratona da Patagônia no ano passado e mesmo a Maratona de Paris, em abril deste ano. Apesar de estar com as pernas cansadas, avistei o pórtico de chegada, o mesmo que havia dado início àquela saga, que certamente ficará em minha memória para sempre. Fechei com o tempo de 04h03min57seg, e levando em conta que fui indisciplinado com o preparo para esse evento, e que apesar dos pesares não contraí nenhuma contusão (exceto dores musculares pós-prova) posso me dar ao luxo de dizer que fiz uma das maratonas mais difíceis sob o ângulo de grandes adversidades. E para completar a festa, fiquei em 3º lugar na categoria 25-29 anos, mais um pódio para a minha pequena coleção.
Ao final, uma maratona muito difícil
Notas: o abastecimento da maratona foi eficiente, não faltando água gelada em todos os postos, conforme apresentado no regulamento, tivemos boa distribuição de isotônico durante a prova, senti a ausência de frutas a partir do quilômetro 32, isso faz muita falta em provas longas. Os meus parabéns aos fotógrafos Nete&Val, do site COSTAMA, pela ótima cobertura, pena que os grandes portais da capital não dão a mesma importância aos eventos do litoral. Aos amigos navegantes, essa não foi uma simples prova de 10Km (cito pela baixa quilometragem) .O que aconteceu no último dia 29/08 foi a execução da 2ª MARATONA DAS PRAIAS, um evento com agravantes climáticos, com um nível de dificuldade acima da média, na qual verdadeiros heróis tiveram a oportunidade de vencer com magnitude todos os desafios que foram apresentados. Parabéns a TH5 Eventos por mais um evento de grande porte realizado, os resultados estão disponíveis no site: www.th5eventos.com.br e as fotos podem ser obtidas gratuitamente no site www.costama.com.br
3º lugar na categoria 25-29 anos
Um domingo que valeu a pena
Agradecimentos: a minha amiga Marta, de Santa Catarina que ficou me cutucando para usar essa maratona como treino, agradeço também a minha amiga Elis, que no momento em que eu estava em dúvida sobre fazer ou não fazer a maratona, insistiu para que eu não abortasse o evento e já no dia da prova, em resposta ao comentário que eu fiz sobre a falta de treinos, me disse: “acho que você fez até bem de não ter treinado, pois todos tivemos treinos muito abaixo do esperado pela falta de umidade”, e ao meu treinador Emerson Bisan, que há dois meses me falou dessa maratona, disse que seria uma ótima oportunidade de testar resistência e que até se dispôs a fazer o trajeto inteiro comigo para eu pegar confiança e, no entanto NÃO APARECEU!!! (risos), deixando o seu aluno como o único representante da equipe no evento.

